10 de abr de 2007

A Lenda das quatro irmãs...

Uma lenda sobre as quatro irmãs...
Solidão, Separação, Saudade e Recordação...

Numa planície florida e perfumada, há milênios atrás, estavam quatro irmãs, conversando calmamente...
Refletindo sobre suas missões e seus destinos...
Eram elas: saudade, separação e solidão; faltava apenas a caçula – a recordação.
Preocupadas, começaram a procurar onde ela estava e porque teria se isolado, pois normalmente era a primeira a chegar em qualquer conversa ou lugar!
Acabaram por encontrá-la, num canto, sentada à sombra de uma árvore, com os olhos perdidos e o pensamento distante...
Estava tão absorta em seus devaneios, que não pressentiu a presença das irmãs que se aproximaram...
Fitava o horizonte, mas nada via...
Parecia pedir algo, com muita devoção!
Suas lembranças pareciam estar nas asas do vento, seu primo mais querido e companheiro; fiel amigo e, acima de tudo, confidente de suas imagens guardadas...
Foi então que a mais velha delas se aproximou – a Solidão, chamando-a de volta, ao convívio delas, perguntando:
- "Porque está tão sozinha, minha irmã?" Esta é a Minha Missão e não a sua! Pois, você trouxe em seu ser, a leveza de guardar os bons e maus momentos e, delas extrair a vontade de continuar, caminhando em frente...Os humanos precisam de você, para não esquecer à que vieram!
A Recordação, sentindo sua tristeza, abaixou os olhos e num gesto simples, mas afetuoso, que encerra a força imortal do carinho, abraçou sua irmã Solidão, para comprovar que ela nunca estaria totalmente só e, que a recordação sempre a acompanharia por todos os caminhos, como uma companheira fiel.
Nesse exato momento, aproximou-se uma outra irmã – a Separação, que vendo essa cena não pode deixar de se emocionar e perguntou:
- "Porque este olhar distante, minha irmã?" Eu sim, tenho dentro de mim esta Missão, a dor que aflige o mais duro dos corações!" Esqueceu que sou a Separação, aquela que sempre conhece as artimanhas e caminhos, para o final de quase todas as histórias concebidas como um conto de fadas? Minha Missão é separar, para que assim, cada um possa conhecer seu verdadeiro interior e crescer. Mais e mais..."
A Recordação espantando-se com essas palavras, respondeu com seus olhos tristes:
- "Para que separar o que poderia ser tão lindo e sublime? Para que uma maldade dessa? Para haver apenas tristeza e solidão?"
A Separação vira-se e, com os olhos brilhantes como os raios do luar, responde apenas:
- "Se estou presente, foi porque me foi dado o espaço para aproximar. E assim existirá o sentimento para você, minha irmã - a Recordação, do que existiu dentro de dois corações".
Após ouvir essas palavras, a Recordação abraça sua irmã, a Separação, e lhe diz:
- "Mas eu estarei sempre em cada coração, para que não esqueçam o que já lhes aqueceu a alma".
Subitamente, aproxima-se a última irmã – a Saudade, caminhando a passos lentos e coração apertado, como a saudade que invade um coração. Vira-se para a irmã mais nova e querida, dizendo:
- "Minha irmã, porque tanta tristeza?" você, de nós três, é a única que revive a cada momento, tudo o que deixamos para trás! É a nossa continuidade... Porque sem recordação, para que serve um coração pulsando dentro de um peito?
A Recordação abaixa os olhos e responde:
- "Você deixa dentro de cada ser, a sensação da ausência presente e, assim os corações, apesar de solitários e separados, conseguem ainda sentir a emoção do que já viveram e sentiram!"
Ambas, então se abraçam...
E, escutou-se no silencio que se fez presente, o ruflar das asas do vento se aproximando...
O perfume das flores impregna toda a atmosfera ao redor...
Uma paz reina soberana...
E, com ela, a sensação nítida de que todas as quatro irmãs: Solidão, Separação, Saudade e Recordação, jamais poderão viver sozinhas. Pois, uma sempre dará seqüência ao que a outra iniciou.
Estranhamente, a Recordação, enxugou as lágrimas que corriam pelo rosto; olha para o céu, colocando-se de joelhos e mãos postas, e diz com a voz entrecortada de emoção:
- "Deus, Pai Poderoso e Clemente, conceda-me o pedido que lhe havia feito, anteriormente? Peço, humildemente que me atenda. Não é só para mim, mas por minhas irmãs também, porque sei que elas aprovarão o meu pedido".
Nesse instante, o vento - primo querido – sopra rápido, suas asas se tornam resplandecentes, como se uma resposta estivesse a caminho.
As flores exalam seu melhor perfume...
Os pássaros revoam por todos os lados...
Uma chuva de estrelas surge inesperadamente, pairando sobre a Recordação, vindas do nada... Com um brilho intenso e uma resposta...
Ela sabia, que Deus havia atendido seu pedido...
Um coro de Anjos, entoados ao longe, se fez ouvir...
Chegando até o mais fundo de qualquer alma, tornando o momento um fato sublime e marcante...
As estrelas brilhavam com tanta intensidade, que ofuscavam a visão do céu!
Ouve-se algo, ao longe...
Por um minuto, se tem a sensação de que o tempo parou, o relógio espacial se fixou e espera-se apenas o milagre do pedido atendido.
Um grito abafado?
Um gemido?
Um choro?
Sim, um choro suave, que trás em si, a sublimação de um pedido atendido!
Por entre as nuvens, surge o arco-íris e com ele, uma voz dizendo:
- "Nasceu uma nova irmã, para atender seu pedido, tão singelo e ao mesmo tempo tão sublime, feito com fé e abnegação".
- "Será ao mesmo tempo a síntese e elo de união de todas, pois não saberão mais viver sem ela".

- "Será a continuação de cada uma":
Solidão
– você terá agora uma companheira.
Separação – você terá agora um novo caminho.
Saudade – você terá agora uma nova sensação.
Recordação – você terá agora um novo objetivo.
- "Deixo entre vocês, sua mais nova irmã: a Esperança.
Para que assim, ela consiga trazer a cada coração, a chance de que sempre poderá existir um novo (re)começo para cada ser humano, que trás em seu coração, o dom do amor".
- "Através dela, um novo sentimento começara a existir a partir de agora. Pois, com a Esperança, sempre existirá a possibilidade de um novo caminho, uma nova companhia, uma nova sensação e um novo objetivo".
"Que a Esperança sempre possa existir dentro de cada coração; possibilitando com isso, que o sentimento de amor, esteja aninhado dentro de cada um de nós"!

Escrito em 25 de junho de 2001, por Guerreira

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